Esta é uma opinião sobre a postagem do Peterson no Orkuticídio, como bem disse que escreveria sobre.
A discussão é sobre a qualidade das escolas, se elas são necessárias e, caso sejam, como produzir uma boa escola.
Foram expostas lá algumas idéias que são do meu agrado, muito mesmo. Uma boa avaliação é essencial, colocar os alunos para serem avaliados por professores de uma cidade, por exemplo, além de permitir oportunidade de intercâmbio, dá um resultado que acredito ser melhor que o atual.
Mas dar aos alunos oportunidade de aprender é o mínimo do mínimo (coisa que também concordo, como dá de ver
). É necessário também fazê-los se interessar. E o interesse surge por diversos motivos: eles se perguntam, “é útil?”, “é interessante?”, “vale a pena?”. E também surge o dilema: facilitar as aulas melhora a procura por parte dos alunos?
E se eu facilito ao máximo, negando o conteúdo, mas fazendo os alunos amarem as aulas? Não estaria eu indo contra meu próprio objetivo? Acho, portanto, que tudo deve ter um nível mínimo de abordagem — e acho também que muitas matérias hoje no Brasil são dadas de maneira extremamente superficial, especialmente física, química e matemática.
Então, o que é importante, necessário o suficiente para ser ensinado na escola, quão profundamente deve ser abordado e de que maneira incentivar o aluno a aprender sozinho?
Eu acho que diferentes pessoas tem diferentes respostas para cada uma destas perguntas. Uma boa escola para um pode não ser boa para outro. No fim das contas, se houver então um processo de aprendizado diferenciado para cada indivíduo, que seja ótimo, então que seja aplicado. Mas isto não implicaria no fim da escola?
Veja bem, se tenho acesso a tutoria por parte de um professor, vontade de aprender um conteúdo e ao mesmo tempo acesso a bibliotecas, museus, aulas práticas de laboratório, música e esportes, por que eu vou precisar entrar em uma sala de aula, que é exatamente o contrário — contrário, claro, todos em carteiras iguais, de frente para o mesmo quadro e o mesmo professor, ouvindo as mesmas coisas e anotando as mesmas linhas, isto é, nem um pouco individualizado.
No fim eu acho que a escola começa errando pela sala de aula e que a política pública para a melhora do ensino peca começando pela escola (e ignorando o acesso livre ao conhecimento através da internet, bibliotecas, universidades, museus, esportes, lazer e cultura).
E o processo de ensinar, como não é o mesmo de aprender, não deve iniciar pelo mesmo lado: o conteúdo. Parece que os professores hoje se preocupam demais em tentar ensinar, mas esquecem que o trabalho deles na verdade é tentar fazer aprender.
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